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/Exposição da UFRJ homenageia os 450 anos do Rio de Janeiro

Começou nesse sábado, 28 de março, a exposição Memórias do Boto, um projeto que integra o calendário oficial de comemorações pelos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. Foram instaladas, por todo o campus da Cidade Universitária, 45 esculturas de botos, produzidas no Polo Náutico da UFRJ, em fibra de vidro, a partir de um protótipo criado pelo estudante de Escultura da EBA, Gabriel Barros. Os botos permanecerão no campus até o dia 30 de maio. O projeto é uma parceria entre a Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ), o Parque Tecnológico e o Polo Náutico, do Programa de Engenharia Oceânica, da Coppe/UFRJ.


Durante a cerimônia de abertura realizada no pilotis do Prédio da Reitoria, na Cidade Universitária, foram anunciados os três vencedores - dentre os 23 alunos que produziram obras -, cujas esculturas foram consideradas as mais criativas e representativas da iniciativa. O primeiro lugar foi para Roberta Paz, aluna de Pintura, com o boto Mosaico Carioca, que retratou diversos locais do Rio, como as praias de Copacabana e Ipanema e a escadaria Selarón, na Lapa. A obra que ficou em segundo lugar foi a da aluna de Gravura, Mariana Paraizo, autora do boto Celebração, que representou os muros e postes cariocas. O aluno Bernardo Alves, também do curso de Gravura, ficou com o terceiro lugar com a obra Pevsner, na qual o artista usou fios de lã e parafusos para criar uma rede ao redor do boto, chamando atenção para os problemas ambientais do Rio causados pela poluição.


As estruturas produzidas pelo Polo Náutico foram transformadas em arte por 23 alunos e 16 professores da EBA, e por seis artistas convidados. Dentre os quais, Fernanda Metello, arquiteta da Coppe. Cada obra remete a algo significativo da história ou da cultura carioca. No caso de Fernanda, o tema escolhido foi “Memórias do Boto na Ilha de Paquetá”.

 

A arquiteta da Coppe produziu sua obra com pintura acrílica e verniz, e também a adornou com acessórios, como cordas e uma ampulheta contendo areia e pérolas. As cores e adereços usados pela artista são carregados de simbolismo. As pérolas fazem referência à Ilha de Paquetá, tida como a Pérola da Baía de Guanabara. As cordas que amarram o boto simbolizam a falta de liberdade dos botos, impedidos pela poluição de transitar com liberdade pelas águas da Baía. A base enegrecida da escultura remete à poluição da Baía, com apenas uma pequena parte em azul marinho, que caracteriza o potencial de recuperação do ecossistema.
 

A obra de Fernanda Metello está exposta em frente ao CT2, próximo a outras obras da arquiteta: a expansão do Centro de Tecnologia e a estação do Maglev-Cobra, veículo de levitação magnética sobre trilhos, desenvolvido pelo Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup).
 

A UFRJ disponibiliza visitas guiadas com monitores que contarão, durante duas horas, histórias e curiosidades da cidade do Rio de Janeiro, da Cidade Universitária, além de informações sobre as obras de arte. As visitas acontecem todas as terças e quintas-feiras, das 10h às 12h, e devem ser marcadas antecipadamente no site da exposição. As quartas, as visitas são destinadas a alunos da rede pública de ensino.
 

“Boto Parade”

 

Para entender o porquê da escolha do boto como símbolo basta olhar para a bandeira do Rio de Janeiro. Há dois botos no brasão da cidade, de tão abundante que um dia foi a espécie, nas águas da Baía de Guanabara. Os organizadores negociam com o Comitê Rio450 (responsável pelas comemorações do 450º aniversário da cidade) a possibilidade de levar a exposição, já apelidada de “Boto 'Parade'”, para a orla de Copacabana ou Leme.


O processo de criação das esculturas foi documentado e será transformado em livro, com informações sobre as obras, além de dados históricos que marcaram os 450 anos da cidade e serviram de inspiração para os artistas. O livro "Memórias do Boto" trará os registros iconográficos com o making off do trabalho realizado pelos artistas, professores e convidados e tem lançamento previsto para 12 de agosto, data do 199º aniversário da Escola de Belas Artes.


Confira no site Memórias do Boto todas as informações disponíveis sobre o projeto, além de fotos, vídeos, a relação dos artistas e suas obras, mapa de localização das esculturas e mais.

  • Publicado em - 27/03/2015