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/Alunos do Pedro II participam na Coppe de visita virtual ao CERN

 

Cerca de 40 alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Pedro II, unidade Duque de Caxias, participaram, dia 15 de setembro, na Coppe/UFRJ, da primeira de uma série de visitas virtuais ao Atlas, experimento instalado no maior laboratório de física de partículas do mundo: o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear). Composto por detectores de partículas, o Atlas teve um importante papel na descoberta do bóson de Higgs - a chamada "partícula de Deus", uma das mais complexas pesquisas desenvolvidas pelo CERN que visa decifrar a origem do universo. O protocolo www, que resultou na popularização da Internet, é outro exemplo de experimento realizado no CERN, com forte componente tecnológico.

 

A primeira visita começou com uma breve apresentação do professor da Coppe, José Manoel Seixas, um dos coordenadores da equipe brasileira que participa da colaboração internacional que desenvolve e opera o Atlas. Seixas falou sobre a física de partículas, o papel do Atlas, os objetivos do CERN e a contribuição da Coppe nas pesquisas. Em seguida, os alunos participaram da visita virtual ao Atlas, em tempo real, guiados pelo pesquisador Denis Damásio, ex-aluno da Coppe, que se encontra no centro de pesquisa europeu, na Suiça. Ao final da transmissão, entusiasmados com tudo o que viram e ouviram, os alunos do Pedro II agradeceram com aplausos.

 

A Coppe possui uma longa parceria com o CERN, iniciada em 1988. Seus pesquisadores projetaram e operam um dos mais importantes detectores que compõem o Atlas, maior experimento de detecção de partículas em funcionamento no planeta. Também atuam no sistema de filtragem online, que é responsável por separar a informação cientificamente relevante, na vastidão de dados coletados a partir das colisões de partículas.

 

Promovida pelo Espaço Coppe Miguel de Simoni, a série de visitas programadas acontecem sempre às quintas-feiras. O roteiro inicia no nicho 8 da exposição “Exploradores do Conhecimento”, que apresenta o tema “A recriação do começo dos tempos”, e termina na tenda Lobo Carneiro, com a visita virtual ao centro de pesquisa europeu. A exposição Exploradores do Conhecimento está instalada no Espaço Coppe, que fica no Bloco I 2000, Centro de Tecnologia da UFRJ, Cidade Universitária. As escolas interessadas podem se inscrever pelo email: andreia.espaco@adc.coppe.ufrj.br. Confira o calendário de visitas das escolas até o final do ano de 2016.

 


Para que serve a Física?

 

O estudante Jorge Luis Alves, 18 anos (foto), que deseja cursar Física ou Engenharia Eletrônica, saiu da experiência entusiasmado. “A palestra foi melhor do que eu imaginava. Eu já tinha lido sobre física de partículas, mas foi superficial. Ver o pesquisador lá no próprio CERN, mostrando as instalações do laboratório... e a explicação sobre software foi sensacional", elogiou Jorge, que a exemplo de sua colega Luiz pensa em cursar Física, embora ainda cogite a hipótese de tentar Engenharia.

 

Para Leonardo Prata, professor de Física do Colégio Pedro II, que conduziu os alunos na visita à Coppe, esta foi uma oportunidade única para os alunos verem como se faz ciência e quem a faz. "Em sala de aula a gente fala de coisas teóricas, por mais que diversifique o material utilizado. E sempre surge a pergunta do aluno: 'pra quê serve isso na minha vida?', ainda mais em uma disciplina como a Física", contou Leonardo.

 

"Toda essa tecnologia usada em aceleradores de partícula de alguma forma volta para a sociedade. Os alunos podem sentir o que lhes espera na graduação. O professor pode concatenar e discutir problemas mais específicos. A física tem uma importância muito grande que passa despercebida e nesse mundo com cada vez mais informação você tem que focar", explicou o professor Leonardo Prata.

 

Segundo o professor Seixas, a atividade promovida pela Coppe proporciona uma complementação à formação pedagógica dos estudantes. “Os currículos do ensino médio ainda não foram atualizados de modo a contemplar a moderna física de partículas. Alguns currículos acadêmicos não incorporaram ainda o estudo das partículas subatômicas”, afirmou o professor.

 

"Há uma briga antiga para incluir física moderna nos currículos, travada durante a discussão dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). A gente tem que cumprir todo aquele programa tradicional. Queremos incluir, mas a grade é muito engessada", lamenta o professor Leonardo.

 

Para a aluna de Ciência da Computação na UFRJ, Luiza Coelho, 18 anos (foto), a visita foi estimulante porque permite aos alunos verem a física na prática. "Algumas dúvidas que eu tinha foram respondidas. Dificilmente eu vou ter outra oportunidade para ver e falar com alguém que trabalha no CERN", afirmou Luiza, que faz iniciação científica.

 

Os alunos ficaram impressionados com números relativos ao laboratório. Maior colisor de partículas do mundo, o LHC (Large Hadron Collider) ocupa no CERN um túnel circular de 27 km de extensão e opera sob uma temperatura de apenas 1,7º K, mais fria que a temperatura média do universo e próxima ao zero absoluto, a temperatura mais fria possível. Já o Atlas – o maior detector de partículas do LHC,  que conta com a colaboração da Coppe desde sua concepção- tem 22 metros de altura, 44 metros de comprimento e pesa 7 mil toneladas.

 

Da Suíça para o Rio

 

Os alunos do Pedro II conversaram, por videoconferência, com o pesquisador Denis Damásio, no Atlas Visitor Center. Doutor em Engenharia Elétrica formado pela Coppe, Damásio é pesquisador no Laboratório Nacional de Brookhaven (EUA) e está lotado no CERN, desde 2005.

 

O pesquisador mostrou diversas imagens das instalações do Atlas e explicou como se dá o processo de aceleração e colisão de partículas. Segundo Damásio, os feixes de partículas geram 40 milhões de colisões por segundo, mas a maior parte destas gera fenômenos físicos já conhecidos e que, portanto, não interessam aos pesquisadores.

 

 

Os alunos aproveitaram a oportunidade para fazer várias perguntas. As questões variaram de objetivos gerais do laboratório a curiosidades específicas sobre a relação entre a baixíssima temperatura, que garante a supercondutividade, e a energia cinética das partículas em aceleração, bem como a energia da corrente elétrica utilizada (13 mil ampères) ou as linguagens de programação utilizadas pelo software desenvolvido por Damásio (C++ e Pyton).

 

O professor Seixas contou aos estudantes que Dênis era um jovem que morava em Cabo Frio antes de fazer vestibular para Engenharia e ser aprovado para a UFRJ. "Vocês podem seguir essa trajetória e se tornarem pesquisadores do CERN. Não é um caminho impossível. Há muitos pesquisadores jovens por lá e no futuro podem ser vocês", incentivou.

 


A expressiva contribuição brasileira

 

Atualmente, 138 pesquisadores brasileiros trabalham no CERN, quase o mesmo número que a China (150), mais que o número total de todos os países da América Latina, incluindo o México (112) e o dobro de Israel (64), um dos países que mais investem em ciência no mundo.

 

A Coppe possui uma longa parceria com o CERN, iniciada em 1988. Seus pesquisadores colaboraram na concepção e desenvolvimento do calorímetro, um dos detectores do Atlas, maior experimento de detecção de partículas em funcionamento no planeta. O calorímetro é capaz de medir a energia produzida pelos subprodutos da colisão dos detectores.

 

“Posteriormente, os pesquisadores da Coppe passaram a atuar na chamada filtragem online, que busca separar a informação nova e cientificamente relevante de dados já conhecidos ou inúteis”, informou o professor Seixas, que juntamente com o professor Fernando Marroquim, do Instituto de Física da UFRJ, coordena a participação do Brasil no CERN.

 

A Coppe também é responsável por 90% dos sistemas de engenharia de software que dão apoio à coordenação técnica do Atlas, rastreando os equipamentos que passam por manutenção, inclusive aqueles que estiveram expostos à radioatividade, e acessando as informações dos milhões de componentes do Atlas, otimizando o processo de trabalho e alocando recursos técnicos e humanos de maneira eficaz.

 

Segundo o professor Seixas, os investimentos feitos para que o Brasil participe do projeto têm repercussões positivas para a economia nacional, "uma vez que geram demanda para a indústria brasileira produzir tecnologia de ponta e lhe confere credibilidade no mercado internacional por fornecer bens e serviços a um dos laboratórios mais sofisticados do mundo".
 

  • Publicado em - 29/09/2016