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/Estudo revela os setores que mais poluem o ambiente no Rio

Os setores de construção civil, energia, transporte e lixo são os que mais poluem a atmosfera no Estado Rio de Janeiro. De acordo com o estudo feito por pesquisadores da COPPE, a indústria é responsável por 21% das emissões de gases de efeito estufa. As indústrias geradoras de energia respondem por 22% e o transporte rodoviário por 16%. Solicitado pela Secretaria de Ambiente do Estado do Rio, os resultados do estudo foram apresentados dia 3 de dezembro, no Rio, e dia 8 de dezembro na Conferência do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), em Bali.

No Rio, o resultado do estudo foi apresentado pelo Secretário Estadual de Ambiente, Carlos Minc, e pela professora de engenharia de transportes da COPPE/UFRJ, Suzana Kahn Ribeiro, Superintende de Mudanças Climáticas e Mercado de Carbono do Estado. A metodologia desenvolvida pelo Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (Centro Clima) da COPPE, sob a coordenação do professor Emílio La Rovere, seguiu os princípios propostos pelo IPCC e os de responsabilidade de emissões.

Baseado em dados de 2005, o estudo revela que naquele ano o Rio foi responsável pela emissão de 56.9 milhões de toneladas de dióxido de carbônico, com 87% de responsabilidade, 333 toneladas de metano (CH4), com 10% e 5.7 toneladas de óxido nitroso (N2O), com apenas 3% de participação. “Enquanto no Brasil cerca de 70% das emissões de gases do efeito estufa são provenientes do desmatamento, no Rio de Janeiro o setor industrial é o principal responsável”, diz Kahn.

Os dados comprovam que os processos de produção, usos de artefatos e gastos com energia nas indústrias, são os grandes vilões do lançamento de gases estufa do Rio: 38% do total de carbono emitido têm sua origem dentro das usinas. Em segundo lugar aparece o transporte rodoviário, com 15%, em terceiro, com 10% de participação, as mudanças no uso do solo, residências e edificações. O quarto item, denominado outros, engloba desde agropecuária até esgotos domésticos e comerciais.

Segundo a professora Suzana, as emissões per capita do Rio ainda são consideradas pequenas. Em comparação com a média nacional de 1994 (data do último inventário realizado no Brasil), que era de 9,4 toneladas de carbono, no Rio de Janeiro, em 2005, esse valor não ultrapassava 4,4. “No entanto, o potencial hidroelétrico do sudeste está chegando ao fim. A tendência é aumentar cada vez mais o uso dos combustíveis fósseis. Se nada for feito para mudar essa situação, a estimativa é o aumento na quantidade de emissão”, adverte.

O estudo ainda envolverá outras etapas: a elaboração de cenários para os anos de 2010, 2015 e 2020 e as estimativas de metas mitigação que poderão ser alcançadas por meio de ações governamentais.

  • Publicado em - 07/12/2007