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/Professora ganha prêmio Anita Borg para Agentes de Mudança

A professora Ana Regina Cavalcanti da Rocha, do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Coppe recebeu o prêmio Anita Borg para Agentes de Mudança. Concedida pelo Instituto Anita Borg, a premiação foi entregue, dia 30 de setembro, em Atlanta (EUA), durante a 10ª Conferência Celebração Grace Hopper para Mulheres em Computação de 2010, que tem como objetivo incentivar o interesse de mulheres pelas carreiras e pesquisas em computação.

A premiação é um reconhecimento ao trabalho realizado por Ana Regina em engenharia de Software voltado para mulheres. Do total de 113 mestres e doutores orientados pela professora da Coppe, cerca de 50% são mulheres que se encontram em postos de destaque em universidades e empresas no Brasil e no exterior. O prêmio deve-se também a sua competente atuação como coordenadora técnica do Modelo de Referência para a Melhoria de Processo de Software brasileiro (MPS BR), projeto que já levou cerca de 300 empresas brasileiras a implantarem processos e boas práticas de engenharia de software, tornando-as mais competitivas.


A indicação do nome de Ana Regina para o prêmio Anita Borg para Agentes de Mudança foi feita pela pesquisadora americana, a professora Shari Pfleeger e passou pelo crivo da comissão julgadora do instituto que, além de fazer uma análise da trajetória profissional da pesquisadora e de sua contribuição para incentivar o interesse e inserção de mulheres na área de computação, ouviu ex-alunas e colegas de profissão.

Admirada e respeitada por profissionais da área, alunos, clientes e parceiros de trabalho, Ana Regina é profunda conhecedora dos desafios enfrentados pelas mulheres que escolhem atuar nesta área do conhecimento, com forte predominância masculina. Durante o mestrado era a única mulher da sua turma e no doutorado ganhou a companhia de mais uma colega. Hoje, na pós-graduação de engenharia de sistemas e computação da Coppe, da qual é professora, cerca de 20%. de alunos e docentes são do sexo feminino. “As mulheres têm uma garra tremenda. Quando decidem fazer algo, conseguem e o fazem muito bem. Esse é o diferencial”, ressalta.

MPS BR: um caso de sucesso

Coordenadora técnica do MPS BR desde o início do projeto, em 2003, a professora Ana Regina é uma das responsáveis pelo sucesso alcançado por esse modelo criado pela Sociedade Softex, em parceria com as universidades, que em apenas sete anos conquistou a credibilidade de grandes empresas consumidoras e órgãos internacionais e vem mudando o patamar da indústria de software no Brasil.

O MPS BR avalia empresas brasileiras de softwares, capacitando-as para disputar licitações e competir no disputado mercado que atinge cifras da ordem de milhões de dólares. Além de oferecer um custo de implantação e avaliação cerca de três vezes menor que o cobrado por outros órgãos internacionais, o MPS BR conta com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e do BID.

A equipe coordenada pela professora da Coppe já credenciou mais de 400 engenheiros de software, em vários estados do país: 300 deles têm como missão preparar as empresas para o processo de avaliação, que tem duração de 12 meses; os outros 100 profissionais são responsáveis pela avaliação das empresas.


“Software desenvolvido sem processo e sem rigor custa mais caro e tem menos qualidade. Antes da implantação do MPS, muitas empresas nacionais sofriam restrições. Elas não conseguiam participar das grandes licitações porque não eram avaliadas, não se submetiam à avaliação porque era demasiado caro. Hoje, a perspectiva é outra e estamos otimistas com os resultados obtidos em menos de uma década”, afirma Ana Regina com entusiasmo. Não lhe faltam motivos: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já estuda a possibilidade de levar o MPS para alguns países da América Latina, como México, Colômbia e Peru. No momento, mais 100 empresas nacionais estão finalizando o processo de preparação para serem avaliadas. Como se não bastasse, a pesquisa de indicadores que avalia anualmente os resultados obtidos com o MPS revela que, após a avaliação MPS, o faturamento das empresas aumentou, cresceu o número de clientes e de funcionários e mais de 90% dos dirigentes ouvidos se declararam muito satisfeitos.

No intuito de simplificar o processo, a equipe técnica do MPS está propondo para empresas que têm negócios no exterior uma única avaliação com validade no Brasil e no exterior. Recentemente, uma empresa de Belo Horizonte foi avaliada conjuntamente pelo Instituto de Engenharia de Software da Universidade Carnegie Mellon, Pittsburgh, e pelo MPS, obtendo em uma única avaliação um nível MPS e seu correspondente no CMMI. “É sem dúvida uma conquista que me deixa ainda mais satisfeita quando penso que conseguimos implantar o MPS BR em praticamente todas as regiões do Brasil, dando oportunidade a todos, de Manaus a Porto Alegre.”

Contrariando o ditado que diz que em casa de ferreiro o espeto é de pau, Ana Regina resolveu submeter à avaliação o Laboratório de Engenharia de Software que coordena na Coppe. Desde maio de 2008, o laboratório também faz parte da lista de instituições avaliadas pelo MPS BR.

Perfil


Carioca, nascida em Botafogo, Ana Regina Cavalcanti da Rocha integrou o primeiro grupo de cientistas brasileiros a participar do projeto CERN, em 1988. É mestre (1978) e doutora em Informática pela PUC-Rio (1983). Professora do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Coppe desde 1985, já orientou 90 dissertações de mestrado, 23 teses de doutorado, é autora de sete livros, quatro capítulos de livros e de cerca de 300 trabalhos apresentados em conferências nacionais e internacionais.

  • Publicado em - 04/10/2010