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/Márcio Almeida: em busca do equilíbrio

Filho mais velho de sete irmãos, o Prof. Márcio de Souza Soares de Almeida descobriu o gosto pela física e pela matemática enquanto cursava o 2º Grau no Colégio Militar, o que terminou definindo sua vocação pela engenharia.

Além do gosto pelas ciências exatas, a opção pela engenharia foi concretizada com seu ingresso na graduação da Escola de Engenharia da UFRJ, em 1970, que teve como um dos principais alicerces o mercado de trabalho, na época em expansão com as grandes obras. "Durante o curso fiz estágio no canteiro de obras da Ponte Rio- Niterói e depois em um escritório de cálculo estrutural. Entretanto, influenciado pelas aulas do Prof. Fernando Barata, quando cursava o 4º ano, em 1974, decidi especializar-me em Mecânica dos Solos já no final do curso"- relembra. No mesmo ano Márcio ingressou na COPPE, onde começou a estagiar no Programa de Engenharia Civil e a participar, através da atual Fundação COPPETEC, de estudos e ensaios de laboratório, entre eles para o Metrô/RJ, a Barragem de Tucuruí, as fundações do prédio do Banco Central, em Brasília, e o anteprojeto da Linha Vermelha. "Foi no desenrolar deste estágio, orientado pelo Prof. Márcio Miranda, que tomei gosto pela pesquisa no meio acadêmico", confessa o professor.

Academia

Dois acontecimentos marcaram o ano de 1975, o casamento com Maria, namorada desde o começo da graduação, e o ingresso na COPPE, como estudante de mestrado. Em 1976 já estava dando aula na instituição e, no ano seguinte a sua defesa de tese, foi convidado pelo Prof. Willy Lacerda a ingressar na Área de Solos do Programa de Engenharia Civil da COPPE. "O túnel do Metrô que passa na Mangueira embaixo da estrada de ferro, foi projetado utilizando a técnica desenvolvida na minha tese de mestrado", lembra o Prof. Almeida. "A partir daí fiquei durante três anos e meio desenvolvendo trabalhos para o metrô e dando aula na COPPE".

Durante esse período o Prof. Márcio descobriu que Cambrigde possuía um grupo de pesquisa muito forte em Geotecnia. Entusiasmado, partiu em 1980 para fazer o doutorado na Inglaterra. Durante sus estadia em Cambridge, berço de Isaac Newton e também de seu filho mais novo, Leandro, o Professor começou a produzir textos científicos, escrevendo artigos durante o desenvolvimento de sua tese de doutorado. "Foram tempos proveitosos" - relembra saudoso.

De volta à COPPE, em 1984, assumiu a chefia do Laboratório de Geotecnia. Durante sua gestão priorizou dois objetivos: reequipar o laboratório e estimular ao máximo as atividades de intercâmbio. "Promovi convênios com universidades inglesas, como Oxford e Cambrigde, contando para isto com o apoio do British Council. Conseguimos divulgar muito o trabalho realizado pela COPPE", conta o professor.

Durante seu pós-doutorado, em 1991, no ISMES, Istituto Sperimentali Modeli Estruturali, em Bérgamo - Itália, Márcio participou dos estudos geotécnicos de estabilização da Torre de Pisa, coordenado pelo Prof. Jamiolkowski. No ano seguinte, passou dois meses no Instituto Norueguês de Geotecnia (NGI), que mantém convênio com a COPPE desde o início dos anos 80.

Meio ambiente

Ao retornar, mergulhou na área ambiental e liderou, como Presidente do Núcleo do Rio Janeiro da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos (ABMS), a criação da Comissão Técnica de Geotecnia Ambiental, em 1993, mesmo ano em que passou a chefiar a Área de Geotecnia da COPPE. No ano seguinte, passou a ser membro do Comitê Assessor de Engenharia Civil do CNPq e, em 1995, foi eleito coordenador do Programa de Engenharia Civil, cargo que ocupou durante três anos e durante o qual foi inaugurado o novo Laboratório de Geotecnia.

O Prof. Márcio Almeida, autor de mais de 100 artigos técnico- científicos publicados em revistas especializadas, nacionais e internacionais, é autor de três livros na área de geotecnia,. No ano passado recebeu o Prêmio Terzaghi, concedido pela ABMS. O prêmio, outorgado a cada dois anos, representa o reconhecimento de sua contribuição na divulgação da engenharia geotécnica brasileira, em nível internacional, através de sua produção científica.

Família

Casado há 23 anos com Maria Cascão Almeida, engenheira civil da área de estruturas, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora e recém-concursada na UFRJ, o Prof. Márcio tem dois filhos: Adriana, de 20 anos, que já está na Escola de Engenharia da UFRJ e Leandro, de 14 anos, que vem demonstrando interesse pela área de ciências exatas, e ao que tudo indica seguirá o caminho do restante da família.

Infelizmente todas as atividades acadêmicas e de consultoria não deixam muito tempo para o lazer, mas para relaxar vale de tudo um pouco: teatro, cinema, praia, leitura. "Não consigo ter muito tempo, mas procuro exercitar-me nadando três vezes por semana e jogando tênis. Na verdade estou unindo o útil ao agradável, pois preciso fazer exercícios para cuidar de um problema de coluna" explica o professor. Segundo ele as viagens agora são eventuais, "já viajei muito a trabalho. Minhas viagens agora são curtas e geralmente para o nordeste, mas são meus filhos que me levam", comenta.

Professor Titular da COPPE, desde 1993, e da UFRJ desde 1997, atualmente o Prof. Almeida, além de dar aulas, orientar teses e participar de consultorias, tem atuado também na coordenação da nova área interdisciplinar de engenharia ambiental e do MBE-COPPE. "Acho que meu principal triunfo nesses anos foi conseguir manter o equilíbrio entre todas estas atividades", conclui Márcio.

  • Publicado em - 24/09/1999